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Edição #66

Aversão a produtos feitos com vibe coding

por Willian Matiola

A popularização das ferramentas de “vibe code” criou uma enxurrada de “programadores” da noite para o dia. Pessoas que antes não tinham capacidade técnica para colocar suas ideias em prática agora veem nessas ferramentas uma maneira rápida, prática e, muitas vezes, barata de colocar algo para rodar.

No entanto, de acordo com vozes da minha cabeça, a velocidade em colocar um produto no ar é inversamente proporcional a capacidade cognitiva de um ser humano de entender tudo o que está envolvido no processo de criação de um produto.

Para economizar tempo e lançar rápido, a pessoa terceiriza toda a experiência do produto para uma IA resolver. Todos os fluxos, interações e aparência são decididos sem um objetivo muito claro ou razão de existir. Apenas é o que é porque a IA disse que sim.

A pessoa por trás dos prompts, por não ter conhecimento específico sobre essas áreas, se regozija em um gozo catártico ao ver que seu produto está igualzinho ao produto que ele pediu para copiar o estilo. Quando na verdade o produto não está apenas diferente como também completamente distante do que se entende por qualidade.

A quantidade de porcaria aumentou consideravelmente e a quantidade de profissionais realmente capacitados criando coisas boas não consegue, nem de longe, acompanhar o mesmo ritmo.

Nem toda ideia é uma boa ideia. Nem toda execução é executada da maneira correta. A IA na mão de um profissional medíocre só amplifica a mediocridade do que ele cria. Na mão de um profissional que possui experiência e conhecimentos sólidos, por outro lado, ajuda a amplificar suas capacidades de execução.

Todos esses produtos lançados tão rápido quanto a ejaculação precoce de um tech bro são fáceis de perceber. Você abre o link e VRAU! Dá de cara com um design igualzinho aos 666 outros produtos que você também teve a infelicidade de conhecer.

De uns tempos pra cá comecei a desenvolver algo que estou chamando de Aversão a Produtos Vibe Coding. Que nada mais é do que o sentimento repulsivo ao acessar algo que foi feito com IA, tem cara de IA, tem cheiro de IA, usa fontes com 10px e que causa uma total falta de vontade de experimentá-lo.

Veja bem, não sou contra a criar produtos com IA. Só parto do pressuposto de que cada pessoa envolvida deve utilizar essas ferramentas para criar algo que tenha qualidade, bom planejamento, boa experiência, boa arquitetura de software e, acima de tudo, uma boa segurança.

Você já sentiu essa aversão também? Se quiser compartilhar sua visão, basta responder esse email.

Com aversão, Willian Matiola