Edições
stoa.news

Edição #67

Plágio em Design na Era da Inteligência Artificial

por Willian Matiola

Eu vi no Xwitter uma ferramenta que permite você usar qualquer imagem do Mobbin para tornar essas imagens em apps reais. Parece mágica, mas por trás dessa proposta sedutora e da copy marketeira temos apenas o conceito de plágio sendo vendido como commodity.

Screenshot de um tweet com os dizeres: "breaking: design taste is no longer a moat. Grab any Mobbin screen and watch Anything turn it into a real app"
Screenshot de um tweet com os dizeres: "breaking: design taste is no longer a moat. Grab any Mobbin screen and watch Anything turn it into a real app"

Imagine que você passou meses desenhando um app com base em pesquisas, entrevistas, análises de fluxos e toda a sorte de técnicas e ferramentas para criar uma boa experiência do usuário. Aí sem mais nem menos alguém usa todas as telas que você gerou para criar um outro app sabe-se lá para o quê.

Isso soa justo ou ético pra você?

Me parece que a IA, além de escancarar a mediocridade de certos profissionais, também removeu o senso de ética. Talvez eles pensem que ao terceirizar o trabalho para uma desinteligência artificial o ônus de plagiar também é transferido a ela. É uma mistura de burrice com mau-caratismo que é até difícil de acreditar.

Eu não matei ninguém, a arma que eu usei é que disparou a bala e atingiu a outra pessoa

Eu sinceramente não entendo qual a linha de raciocínio de alguém que decide conscientemente copiar o trabalho de outra pessoa pixel por pixel. Entendo muito menos quem posta isso e acha que está arrasando porque criou um app revolucionário em apenas 2 dias.

E veja bem, não estou falando da pessoa que usa outros trabalhos como inspiração ou referência. Que pega uma paleta de cores aqui, alguns estilos ali e depois mistura tudo e cria algo diferente. Isso não é plágio.

Eu estou falando daquela pessoa que se apropria do trabalho alheio.

Trouxa é quem perdeu meses fazendo isso. Esperto sou eu que copiei tudo rapidinho.

Existe também o plagiador que ainda não está usando a IA para plagiar. Ele rouba o trabalho dos outros, posta como se fosse seu e quando é elogiado aceita os créditos por algo que não criou.

Esse tipo já está por aí há muitos anos, mas é ainda pior do que o primeiro porque ele nem sequer usou uma ferramenta ou gastou créditos para plagiar. No máximo usou um mockup para disfarçar porcamente o artefato plagiado. Gastou no máximo algum esforço cognitivo se é que existe algum.

3 imagens iguais de um dashboard e um meme de 3 homens aranhas apontando um para o outro
3 imagens iguais de um dashboard e um meme de 3 homens aranhas apontando um para o outro

Eu sei que esse tipo de gente é a minoria. Mas essa minoria, assim como qualquer vírus, é contagiosa. Quando esse tipo de coisa é normalizada e amplificada com ferramentas generativas, o senso de ética é a última coisa que passa pela cabeça do sujeito.

E poxa, não é difícil fazer a coisa certa. Na verdade, só tem duas maneiras de fazer qualquer coisa: do jeito certo ou do jeito errado. E plagiar não é, nem de longe, o jeito certo.

Às vezes sinto pena, porque esse tipo de pessoa jamais vai sentir a felicidade de materializar algo que estava apenas na mente e agora existe no mundo real (ou digital).

A mensagem que fica é: não seja um cuzão e crie seus próprios designs.
A outra mensagem que fica é: não relativize esse assunto.
E se você ainda não entendeu: plágio é crime segundo o artigo nº 184 do Código Penal brasileiro.

Com carinho e sem plagiar,
Willian Matiola

Compartilhar

X LinkedIn Threads