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Edição #68

Política do Design

por Willian Matiola

Não existe design neutro. Todo ato de projetar é, em sua essência, um ato político, pois atende aos interesses de alguém. E esse alguém, no mundo corporativo, quase sempre prioriza o lucro acima do bem-estar da pessoas.

O discurso de que nosso papel, especialmente em produtos digitais, é apenas o de mover as engrenagens do negócio reduz o design a uma mera ferramenta operacional e toda ferramenta é facilmente descartada no momento em que ela para de gerar receita. Se identificar com esse tipo de discurso é uma decisão política e te faz refém dos interesses de quem apenas está preocupado com o lucro do próximo trimestre. Não adianta nada falar que luta pelo bem dos usuários quando toda decisão de design que você faz veio de cima e tem uma métrica financeira por trás.

Como bem disse Mike Monteiro em Ruined by Design, nosso verdadeiro papel como designers é impedir que as pessoas façam coisas terríveis umas com as outras por meio das ferramentas que criamos. Para isso, é indispensável desenvolver um senso crítico e ético apurado sobre o que estamos ajudando a construir. É necessário perguntar constantemente: Quem será afetado pelos produtos que desenhamos? Quem foi excluído de propósito? Quem não teve voz no processo? Qual é o impacto social no indivíduo, nas famílias e na sociedade?

Em algum momento nossa ética e moral serão testadas. Quando esse momento chegar não opte pela omissão. Lembre-se que antes de sermos designers, somos seres humanos. E como tal, é nosso dever lutar por uma sociedade melhor, mais igualitária, com mais dignidade e poder para o povo.

Com carinho,
Willian Matiola

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