Nessa edição eu não vou entrar no mérito da subjetividade da beleza. Já sabemos que aquilo que é belo para uma pessoa não necessariamente será belo para outra. Isso é, na verdade, a beleza das coisas belas.
Ao trabalhar com design ou qualquer área criativa, espera-se que a capacidade de identificar qualidade e desenvolver bom gosto melhore com o tempo. Nem sempre isso acontece. Tem gente que parece imune a esse tipo de habilidade. Mas, quando você chega nesse nível, é difícil voltar atrás. Não tem como desperceber algo que já foi percebido.
Bom gosto, diferente da beleza, não é subjetivo. Ter bom gosto significa, acima de tudo, ser capaz de identificar qualidade nas coisas. Mas, para identificar qualidade, é necessário ter um repertório grande o suficiente que nos permita analisar, com as lentes corretas, o que estamos vendo.
Para construir esse repertório, é necessário entender, nem que seja o mínimo, de materiais, processos, cultura, estética, política e todo tipo de característica que deu origem ao produto que está nas suas mãos, aos lugares que você visita ou às pessoas com quem você se relaciona.
Tudo que é belo será, a partir de agora, um reflexo de todas as referências que você cuidadosamente curou nessa infinita triagem de qualidade. A vontade de estar rodeado de beleza nos permite adquirir, conscientemente, produtos que nos façam bem; de estar em lugares interessantes e bonitos que elevam nossa estima; e de nutrir relações de amizade com pessoas que possuem aquela característica que você aprendeu a perceber: a beleza.
Foi por isso que decidi me rodear de beleza. Ela faz bem para a alma.
Eu seria hipócrita se não dissesse que beleza, muitas vezes, está atrelada a uma etiqueta com um preço bem alto. Aquele carro esportivo, a câmera fotográfica com visual retrô, a bicicleta de corrida de fibra de carbono, o relógio, o celular, o computador, a viagem para o exterior, o restaurante com o chef famoso. Eu sou consciente de que nem todo mundo tem o privilégio de conseguir tudo isso. Inclusive eu.
Como alternativa a isso, decidi me rodear apenas por aquilo que é belo e que faça sentido. Nada de excessos. Nada que não tenha uma utilidade prática ou emocional. Se não for para me tornar uma pessoa melhor, então não tem espaço na minha vida.
Enquanto a revolução não chega, fazemos o possível e o impossível com aquilo que temos no momento.
Com carinho, Willian Matiola